Estudos Arqueológicos em Xique-Xique

[ATIVIDADE DE ESCLARECIMENTO]*

Arqueólogos da A Lasca Arqueologia estão em Xique-Xique (BA) para realizar estudos de campo.

Paralelamente, em parceria com aparelhos educativos e culturais, será difundido, por meio dos seus canais de comunicação, o material informativo digital – Por que o Patrimônio Cultural é tão importante?– para informar à população local sobre a necessidade de estudos arqueológicos para o licenciamento ambiental de empreendimentos modificadores do meio ambiente.

Essas ações de esclarecimento e extroversão integram o projeto de Avaliação de impacto ao patrimônio arqueológico na área Complexo Fotovoltaico Itaguaçu Norte, estudos autorizados pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, órgão do Governo Federal responsável pela gestão do patrimônio arqueológico, por meio da Portaria nº 34, de 17/05/2021. 

Por que são necessários esses estudos?

Sítios arqueológicos são bens da União e são protegidos por legislação federal, Lei n. 3.924/61, sendo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan o órgão responsável pela proteção desses sítios. A legislação objetiva a proteção desses bens e exige estudos prévios, como forma de garantir a redução dos impactos ao patrimônio arqueológico, durante a implantação de atividades e empreendimento potencialmente modificadoras do meio ambiente.

Para que se possa ter sucesso na proteção dos bens culturais, sejam os arqueológicos ou quaisquer outros, é importante o entendimento de que todos nós somos responsáveis por cuidar desses bens para que as gerações futuras possam conhecê-los.

Esta ação busca estimular as percepções e envolver os moradores com seu patrimônio, desenvolvendo, ou ainda, exercitando noções de pertencimento, de identidade e alteridade. Estas atividades são formas de diálogo entre os pesquisadores e a comunidade, visando à valorização, ressignificação e proteção do patrimônio arqueológico e cultural da cidade.

Informações sobre a região 

Os estudos arqueológicos na região do estado da Bahia apontam para a ocupação mais antiga, de grupos caçadores coletores que se abrigavam em grutas e produziam materiais líticos (em pedra) pequenos e cuidadosamente retocados associados à Tradição Itaparica, em 12.000 AP (antes do presente). Em relação aos povos horticultores-ceramistas, de ocupação um pouco mais recente, é possível identificar as Tradições Tupiguarani, com vasilhames de paredes grossas, em tamanhos variados, com pinturas, normalmente restritas à parte interna de grandes vasos abertos, em vermelho, preto ou cinza sobre branco; Aratu, com cerâmicas sem decoração, alisadas, com pequenas incisões sob o lábio; e Una, que produziam peças nas cores cinza, preta polida ou marrom escura, não decoradas, pequenas e com boa queima.

Quanto às pinturas rupestres, há a Tradição Nordeste, identificados por suas pinturas pequenas de traços finos, com técnicas que privilegiam o delineamento e representam ações ou cenas, que possuem um caráter narrativo, nas colorações amarela, ocre, branca, negra, cinza, azul e, principalmente, vermelha; Agreste, identificadas por figuras geométricas, com representações de indivíduos em tamanhos grandes, marcas de mão isoladas e rara ocorrência de cenas; e a São Francisco, na sua maioria compostos desenhos geométricos complexos com uma organização interna e um jogo de cores, não havendo registro de cenas.

Bens culturais

Bens culturais são elementos representativos da história e da cultura de um lugar e que são importantes para o grupo de pessoas que ali vivem. Os municípios contam com a proteção do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), que é vinculado à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, e atua de forma integrada com a sociedade e os poderes públicos municipais e federais, na salvaguarda de bens culturais.

Os bens tombados podem ser consultados no Sistema de Informações do Patrimônio Cultural da Bahia (SIPAC).

O município de Xique-Xique possui um bem tombado em âmbito estadual: a Capela Senhora Santana do Miradouro.

Fonte: IPAC – BA

Sítios Arqueológicos

Um número significativo de pesquisas arqueológicas já foi feito em Xique-Xique. O Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos – CNSA, banco de dados mantido e atualizado pelo IPHAN, disponível em: http://portal.iphan.gov.br/sgpa/cnsa_resultado.php, possui registro de 35 sítios no município, com grande parte sendo de gravuras rupestres. Há também outros trezes sítios em Xique-xique: Riacho Grande 1 a 5, Riacho do Melo 1 e 2, Grota da Onça, Escrivão, Canela Seca, Teotônio, Riacho Carnaúba 1 e Itaguaçu dos Ventos. Os sítios Riacho de Carnaúba 1, composto por materiais líticos a céu aberto; e Itaguaçu dos Ventos, histórico associado aos séculos XIX e XX, com materiais em louças, vidros e ferro, possivelmente de comunidades sertanejas; estão localizados próximos à área do estudo.

Galeria das fotos de campo

  • Complexo Fotovoltaico Itaguaçu Norte

A quem comunicar caso encontre vestígios arqueológicos na cidade:

Superintendência do Iphan no Estado da Bahia

Telefone: (71) 3321-0133

Para saber mais:

Centro Nacional de Arqueologia – Licenciamento Ambiental – Educação Patrimonial

ESTE TEXTO FAZ PARTE DO CONJUNTO DE PRODUTOS DESENVOLVIDOS PELA A LASCA ARQUEOLOGIA PARA ESCLARECIMENTO À COMUNIDADE LOCAL, EM ATENDIMENTO À INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 1/2015 E PORTARIA N. 137/2016 DO IPHAN

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